Segurança Digital deve ser amplamente debatida no Plano Nacional de Internet das Coisas

, ,

A expansão da conectividade por meio dos smartphones proporcionou o acesso à internet à grande parte da população brasileira. Segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no início de 2018, 64,7% da população com idade acima de 10 anos estão conectadas à internet, sendo o smartphone o dispositivo mais utilizado, por 94,6% dos internautas. Como o estudo foi realizado em 2016, os números atualmente devem ser ainda maiores.

Com a expansão tecnológica, é comum que os smartphones ganhem cada vez mais destaque diante desse cenário, principalmente com o crescimento dos dispositivos IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês), que visa o compartilhamento de dados através da rede mundial de computadores por diferentes objetos, como carros, bens de consumo, máquinas industriais, câmeras IPs, sensores que medem a temperatura e umidade ou calculam o consumo de energia. Segundo estimativa da Gartner, a Internet das Coisas deverá ter mais de 26 bilhões de dispositivos conectados até 2020.

O uso desses dispositivos é incentivado por governos de diversos países, fazendo parte, inclusive, do plano governamental de inclusão e expansão. O Brasil ainda inicia sua caminhada nesse âmbito. Em outubro de 2017, o governo apresentou, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), o lançamento do Plano Nacional de Internet das Coisas, que visa a guiar o uso da conectividade nas áreas da saúde, agronegócios, indústrias e cidades, e deve ser lançado em abril deste ano. O objetivo é melhorar a qualidade de vida da população e estimular o desenvolvimento sustentável por meio da Tecnologia.

A iniciativa certamente é positiva. Entretanto, existe uma preocupação por parte de líderes do setor da Tecnologia em relação ao modo em que o documento, que deve ser assinado nos próximos meses, têm sido elaborado: sem um debate exaustivo entre diferentes esferas da sociedade. Isso é necessário para que o plano possa abranger todos os pontos da maneira mais adequada, especialmente em relação à questão da Segurança Digital para esses dispositivos e o papel dos fabricantes.

Os equipamentos que utilizam o conceito de IoT são vulneráveis a alguns tipos de ataques virtuais, entre eles, o de negação de serviço, mais conhecido pela sigla em inglês “DDoS”. Em uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos, Resposta e Tratamentos de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), esse tipo de ocorrência teve um crescimento de 138% em 2016, sendo que a maior parte do aumento corresponde a ataques originados em dispositivos IoT.

A tendência é que, com a popularização dos equipamentos conectados, haverá um aumento proporcional de hackers à procura de brechas que coloquem a utilização das soluções em risco. Quando levado em consideração o uso dos dispositivos IoT no plano nacional (saúde, agronegócios, indústrias e cidades), ações cibercriminosas poderão ter o poder de abalar toda a estrutura das grandes cidades, como acontecido em Dallas, nos Estados Unidos, onde hackers dispararam todos os 156 alarmes contra desastres naturais (tempestades, tornados e outras ameaças), criando uma situação de pânico na cidade ocasionado pela falta de segurança digital na oferta de serviços públicos conectados.

O uso de dispositivos IoT já é visto como uma realidade que veio para transformar as indústrias, os negócios e a sociedade. Porém, esse avanço deve ser guiado por um manual de políticas públicas de educação das pessoas físicas e jurídicas que promovam as boas práticas capazes de tornar o meio digital cada vez mais inteligente e menos incorruptível.

0 respostas

Deixe uma resposta

Deixe seu comentário abaixo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *